A Sanepar apresentou um resultado que, olhando apenas para o número final, parece preocupante: prejuízo de R$ 505,2 milhões no segundo trimestre de 2026.
Mas a realidade operacional é bem diferente. A empresa continua crescendo, aumentou sua receita e apresentou lucro ajustado de R$ 447,5 milhões, 35% maior que no mesmo período do ano passado.
Então, o que aconteceu?
A decisão da Agepar, tomada em meio a uma forte pressão política de parlamentares da oposição, fez com que 100% do benefício econômico do precatório de IRPJ fosse destinado à modicidade tarifária.
Quando o discurso fácil vira conta para alguém pagar
O precatório de aproximadamente R$ 3,94 bilhões se transformou em alvo de uma disputa política.
Parlamentares da oposição passaram a pressionar publicamente pela destinação integral dos recursos aos consumidores, em um discurso aparentemente simples: “se o dinheiro veio de um precatório, tudo deve voltar para a população”.
O discurso pode parecer bonito e fácil de vender politicamente. Mas a realidade de uma empresa pública de saneamento é muito mais complexa.
A Sanepar precisa investir bilhões em água e esgoto, manter suas estruturas funcionando, pagar salários, energia, contratos, equipamentos e cumprir as metas de universalização do saneamento.
Mesmo assim, a pressão política acabou contribuindo para um cenário em que a Agepar determinou a destinação de 100% do benefício do precatório para a modicidade tarifária, em vez dos 75% que vinham sendo considerados anteriormente.
A pergunta que fica é: quem paga a conta quando uma decisão política interfere diretamente no resultado da empresa?
O impacto apareceu imediatamente no balanço
Com a decisão, a Sanepar teve que reconhecer R$ 952,7 milhões de passivo regulatório no segundo trimestre.
Esse lançamento transformou um resultado operacional positivo em um prejuízo contábil de R$ 505,2 milhões.
E aqui aparece o impacto que mais interessa aos trabalhadores.
Por causa da mudança provocada pelo passivo regulatório, a companhia reverteu R$ 27 milhões que estavam provisionados para o PPR.
Ou seja, uma decisão envolvendo bilhões de reais e uma disputa política sobre a destinação do precatório acabou interferindo diretamente na base de resultado que impacta a participação dos trabalhadores.
A Sanepar está realmente dando prejuízo?
Não é essa a história completa. Quando retirados os efeitos extraordinários relacionados ao precatório, o resultado é positivo.
A receita operacional líquida cresceu 11,5%, chegando a R$ 1,9 bilhão. O EBITDA ajustado alcançou R$ 799,9 milhões, crescimento de 15,1%. E o lucro líquido ajustado chegou a R$ 447,5 milhões, alta de 35%.
Portanto, a empresa continua produzindo resultado.
O enorme prejuízo apresentado no balanço foi fortemente influenciado por uma decisão regulatória relacionada ao precatório.
E quem trabalha na Sanepar?
É justamente aí que o Staemcp entende que a discussão precisa ser feita com responsabilidade.
Não se pode transformar uma decisão política sobre bilhões de reais em uma conta que recaia sobre os trabalhadores. Aqueles que trabalham diariamente para garantir água tratada, coleta e tratamento de esgoto e o funcionamento da Sanepar não podem ser os primeiros a perder quando uma disputa política interfere no resultado da empresa.
O trabalhador não decidiu como o precatório seria utilizado. O trabalhador não decidiu pela destinação de 100%.
Mas o trabalhador pode sentir o efeito dessa decisão no próprio PPR.
Politicagem não pode substituir responsabilidade
O Staemcp defende que recursos públicos e decisões que envolvem uma empresa essencial para o Paraná sejam tratados com responsabilidade e transparência — e não transformados em instrumento de disputa política.
É fácil fazer discurso dizendo que “100% tem que ir para o consumidor”.
Mais difícil é explicar as consequências dessa decisão para os investimentos, para a saúde financeira da companhia e, principalmente, para os trabalhadores que ajudam a construir diariamente os resultados da Sanepar.
A modicidade tarifária é importante. O consumidor merece tarifas justas. Mas também é preciso discutir quem paga a conta de decisões tomadas no campo político.
Porque, no final, quando se mexe no resultado da empresa, mexe-se também no resultado dos trabalhadores.

