Sanepar sob pressão: quem garante que não será privatizada?

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R$ 13,1 bilhões em investimentos, acionistas de olho na valorização e uma pergunta que continua sem resposta: qual será o futuro da Sanepar no governo Sérgio Moro?

A preocupação dos trabalhadores não surgiu por acaso. O governador eleito afirmou que não tinha compromisso com a privatização da companhia, mas também deixou essa possibilidade em aberto. Agora, a escolha de Pricilla Maria Santana para comandar a Secretaria da Fazenda do Paraná aumenta a atenção sobre os rumos da futura administração.

Atual secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Pricilla tem em sua trajetória participação em processos de privatização. Sua passagem pelo governo gaúcho coincide com a privatização da Corsan, e sua atuação também inclui a desestatização da Cemar, no Maranhão.

O mercado enxerga oportunidades. E quem trabalha?

Os números mostram que a Sanepar continua sendo uma empresa de grande porte, com capacidade de investimento e geração operacional de caixa. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou:

  • R$ 1,9 bilhão em receita líquida;
  • R$ 540,3 milhões de EBITDA positivo;
  • R$ 13,1 bilhões previstos em investimentos até 2030;
  • R$ 505,2 milhões de prejuízo líquido contábil, com forte impacto do tratamento regulatório do precatório de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Mesmo diante desse prejuízo contábil, a operação segue produzindo resultados. O mercado continua acompanhando o potencial de valorização das ações, enquanto os investimentos projetam o crescimento da companhia nos próximos anos.

Para o presidente do Staemcp, Aldeir Molin, a discussão sobre o futuro da companhia não pode ficar restrita às decisões do governo e aos interesses do mercado. Segundo ele, “a Sanepar é patrimônio público, presta um serviço essencial e tem sua capacidade de atendimento sustentada pelo trabalho diário de milhares de profissionais”.

“Não basta anunciar bilhões em investimentos, é preciso assegurar que a expansão da companhia venha acompanhada de melhores condições de trabalho, respeito aos direitos e valorização da categoria,” afirma Molin.

O Staemcp vai acompanhar as decisões do novo governo e cobrar esclarecimentos sobre o futuro da empresa. A experiência de outras companhias privatizadas no país reforça a necessidade de vigilância e organização sindical. E essa posição exige mobilização desde já, porque o futuro da companhia também significa o futuro dos empregos, dos direitos e de quem dedica sua vida ao saneamento.

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