A Sanepar divulgou os resultados do seu Plano de Demissão Voluntária (PDV) 2025, que contou com a adesão de 527 funcionários, o equivalente a 8,7% do quadro total de colaboradores da empresa. A medida gerará um impacto financeiro imediato de R$ 163,9 milhões em indenizações, valor que será registrado no balanço do primeiro trimestre de 2025. A Sanepar projeta que o retorno do investimento (payback) ocorrerá em pouco mais de 12 meses.
Apesar de o valor total das indenizações ter superado o orçamento inicial de R$ 120 milhões, a Diretoria Executiva e o Conselho de Administração da empresa optaram por aprovar todas as solicitações de demissão voluntária. Agora, a Sanepar enfrenta o desafio de lidar com a saída de centenas de trabalhadores, muitos deles ocupando funções estratégicas para a operação da companhia.
O Staemcp já manifestou preocupação com os impactos da redução de pessoal. Aldeir Molin, presidente da entidade, destacou que a saída de 527 funcionários pode comprometer a qualidade dos serviços prestados pela Sanepar, especialmente em setores essenciais como manutenção de redes de água e esgoto, tratamento de resíduos e atendimento ao público.
“Não podemos ignorar que a saída desses trabalhadores deixa um vácuo significativo na operação da empresa. Muitas dessas funções são críticas e precisam ser desempenhadas sem interrupções. A Sanepar não pode transferir essa carga para os funcionários que permanecerem, sob o risco de sobrecarregá-los e comprometer a eficiência dos serviços”, afirmou Molin.
O Staemcp cobra da Sanepar a abertura de novos concursos públicos para repor os cargos vagos. Segundo o sindicato, a medida é essencial para garantir a continuidade das operações e a manutenção da qualidade dos serviços prestados à população paranaense. “A demissão voluntária pode ser uma estratégia financeira, mas não pode ser usada como justificativa para reduzir a capacidade operacional da empresa. A Sanepar tem a obrigação de garantir que os serviços essenciais não sejam afetados”, completou Molin.
A empresa também não detalhou como pretende redistribuir as funções dos trabalhadores que deixarão a companhia. Enquanto isso, o sindicato segue acompanhando de perto a situação e pressionando a empresa para que adote medidas que evitem a sobrecarga de trabalho e a deterioração dos serviços.
A redução de pessoal também levanta questões sobre o futuro da Sanepar, que, além de lidar com a saída de funcionários experientes, precisará investir em treinamento e capacitação para novos colaboradores. O desafio, será equilibrar a economia gerada pelo PDV com a necessidade de manter a eficiência e a qualidade dos serviços de saneamento no estado.