A assembleia dos trabalhadores da Sanepar, realizada de forma virtual, terminou com a aprovação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028 — mas o resultado veio acompanhado de um recado claro da categoria: há forte insatisfação com a proposta apresentada pela empresa.
Embora o acordo tenha sido aprovado por 64% dos trabalhadores, um percentual expressivo de 36% votou contra. O cenário se torna ainda mais crítico quando analisadas as avaliações feitas durante o processo: apenas 20% consideraram a proposta satisfatória, enquanto 37,33% avaliaram como regular e 42,67% classificaram como insatisfatória, ou seja, a ampla maioria demonstrou descontentamento.
Outro dado que chama atenção é a percepção de desvalorização. Somente 18,67% dos trabalhadores entendem que a empresa valorizou os trabalhadores, enquanto 37,33% avaliam parcialmente e 44% afirmam que não houve valorização, reforçando o sentimento de frustração com os termos apresentados.
O ponto mais sensível da assembleia foi a cláusula do abono indenizatório. Colocada em votação separada pelo sindicato, a medida foi rejeitada por 53,33% dos trabalhadores, contra 46,67% favoráveis, demonstrando clara rejeição a qualquer tentativa de impor penalizações adicionais que impactem diretamente a remuneração.
Já em relação à atuação do sindicato, 58,67% avaliaram como boa, 33,33% como regular e 8% como ruim. Sobre a representação dos interesses da categoria, 62,67% entendem que o sindicato representou bem, 30,67% parcialmente e 6,67% não. Quando questionados se se sentiram ouvidos, 52% responderam sim, 32% parcialmente e 16% não.
Para o presidente do Staemcp, Aldeir Molin, o resultado deve ser interpretado com responsabilidade. “A categoria aprovou o acordo, mas deixou um recado muito claro: há insatisfação e necessidade de avanços. Os números mostram isso de forma inequívoca. A rejeição da cláusula do abono, por exemplo, é um posicionamento firme contra medidas que penalizam o trabalhador”, afirmou.
Molin destacou ainda que o sindicato respeita a decisão da maioria, mas não ignora o conteúdo do resultado. “Nosso compromisso é com a categoria. Vamos formalizar o ACT, mas também vamos atuar nos pontos que geraram maior inconformismo, inclusive com análise jurídica da cláusula do abono, conforme deliberado pelos trabalhadores”, completou.
Apesar da aprovação do acordo, os números deixam evidente que a decisão ocorreu em um contexto de críticas e insatisfação significativa. O Sanepariano demonstrou maturidade ao deliberar, mas também sinalizou que espera maior valorização e melhores condições nas próximas negociações.

