A reunião entre a Sanepar e os sindicatos para discutir o Acordo 2026/2027 poderia ter sido resolvida com um simples “encaminhar” de e-mail. O que se viu na mesa de negociação foi uma encenação onde a empresa se limitou a repetir o que todos já sabiam.
A Sanepar convocou as entidades para ler uma proposta que já havia sido rejeitada. Sem novidades, sem avanços e, principalmente, sem qualquer análise das pautas enviadas pelos trabalhadores. A proposta apresentada é tão “minimalista” que beira o desleixo.
Enquanto os sindicatos se deram ao trabalho de ouvir a base e formular pautas detalhadas, a companhia respondeu com um resumo que ignora absolutamente tudo.
Ficou claro que a comissão negocial da Sanepar está em uma posição ingrata. Embora tentem mediar o diálogo, os negociadores parecem amarrados. Não há autonomia para discutir reajustes reais ou itens econômicos. O cenário revela um abandono inédito: nunca antes a alta cúpula e a diretoria da Sanepar se mostraram tão indiferentes a uma negociação coletiva.
Além disso este processo de negociação deste acordo beira a zombaria. O roteiro é o seguinte: O Sindicato monta uma pauta robusta, a Companhia ignora e faz uma proposta ridícula. O Sindicato questiona a proposta ridícula, a Empresa, pede que o Sindicato envie uma contraproposta: mas onde está a pauta dos Sindicatos?
Outro ponto crítico e preocupante da reunião foi a ultratividade dos direitos. Quando questionada se os direitos atuais serão mantidos até o fim das negociações, a comissão da Sanepar protagonizou falas desconexas:
- Um membro apelou para o histórico (de não retirar).
- Outro garantiu os direitos, mas emendou em seguida que a data-base é em março, o que soa como uma ameaça velada.
- Um terceiro, talvez o mais sincero na sua incerteza, disse que “iria analisar a formalização”.
Sem a garantia formal da ultratividade, a negociação se torna desequilibrada, usando o medo da perda de benefícios como arma de pressão para que os trabalhadores aceitem uma proposta horrível.
Segundo o presidente do Staemcp, “não faz sentido algum, se enviamos uma pauta, o mínimo esperado seria responder item por item, a Sanepar ignorou o que pedimos e mandou uma proposta que nada tem a ver com a nossa realidade, é um insulto”.
Diante do impasse e do desdém que estamos vendo nesta negociação, o Staemcp irá reenviar a pauta original na íntegra, pois não aceitaremos participar de um jogo onde apenas um lado joga e o outro apenas assiste.

